TOPO
  • 25/02

    Dois Toques

     

    Torcida Corinthians

     

    Toda a América sulista volta suas atenções ao desfecho do caso Corinthians x Conmebol. Uma história trágica, controversa e que ao meu ver vai pegar o clube brasileiro para bode expiatório.

     

    Analisando friamente o caso vemos torcedores corintianos onde um lançou um sinalizador na direção dos bolivianos e culminou na morte de um adolescente de catorze anos. Mas porque só o Corinthians será punido, porque não o clube boliviano que permite a entrada desses instrumentos em campo e por que não explodir também na Conmebol, afinal ali também é sua jurisprudência?

     

    Quem defende a expulsão do clube paulista (geralmente movido por uma revolta e nunca pela razão) diz que em vários estádios no mundo rojões, bombas e sinalizadores são permitidos e nenhum delito acontece. Sim, as federações permitem, mas caso aconteça caberá à federação responsável assumir a culpa pelo simples fato de ter assumido o risco. É como o motorista bêbado que matou sem querer, mas por ter assumido o risco leva um homicídio doloso.

     

    Em se tratando da América do Sul – onde a entidade responsável pela organização do campeonato promove o marketing da competição sobre a imagem e o comportamento tribal arcaico das torcidas, onde não basta o clima de guerra na arquibancada (o que é válido e eu apoio), mas existe a necessidade de materializá-lo em soladas maldosas, socos na cara, puxões de cabelo e porradarias sangrentas – sinalizadores deveriam ser proibidos. Sinalizador, pau de bandeira e travesseiros nas mãos de quem sabe usá-los não representam risco, mas quando empunhados por pessoas sem escrúpulos e cuja vida se pauta em fazer o mau são as armas das mais mortais. E infelizmente, por não confiar em uns todos pagam. É assim na vida.

     

    Você poderia chegar mais cedo ao trabalho se por causa de motoristas egocêntricos e mal educados não fosse necessário instalar um semáforo a cada esquina. Da mesma forma não precisaríamos temer parar no sinal a noite ou ver os caixas eletrônicos se fecharem às 22 horas se existisse bom senso nas pessoas e cada um só possuísse aquilo que por direito é seu.

     

    Por conta da exposição nociva que uns nos colocam toda a sociedade acaba por ser privada de certos atos até que haja a conscientização de todos.

     

    Acredito sim que deva haver punição, conscientização de que nas arquibancadas um torcedor policie o outro e que a Conmebol de uma vez por todas revise esse campeonato que quando confrontado com seu sinônimo europeu mais parece ser uma Série D da Copa da Uefa.

     

    Esse pensamento de que Libertadores não é Libertadores se não houver cortes no supercílio e voadoras nas costas é pra lá de démodé. E por defender esse tipo de pensamento que muitos Kevins infelizmente ainda morrerão caso nada seja revisto e repensado.

     

    Estádios ainda são caixas à margem da lei onde todo o proibido é permitido. Tente portar sinalizadores na rua e seja parado numa blitz. Ou tentar fumar um cigarrinho do capeta naquele barzinho onde você curte o jogo e seja jogado algemado numa viatura caso algum amigo antes não o apague na porrada.

     

    Entendo que certos instrumentos são permitidos pela festa, mas deve haver prévia conscientização para que os verdadeiros festeiros não sejam privados de sua diversão. No Rio somos obrigados a assistir jogo degustando água em copo plástico porque por anos infelizes não sabiam beber e assistir aos jogos sem darem vexame.

     

    Para que as coisas ao redor mudem é preciso que mudemos primeiro, caso contrário, seremos forçados a mudar pelas coisas ao nosso redor. Pensem nisso.

     

    Dois Toques e a gente sai na cara do gol!

     

     

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