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  • 17/09

     

    futebol

     

    Nostalgia infindável é o que sinto vendo o bom e velho futebol. Sinto saudade do bom e velho team de football que não vi. Um futebol da época em que nem existia o verbo torcer no sentido de apoiar, éramos todos adeptos, os famosos inchas dos países de língua espanhola. Os que tiveram o deleite imensurável de diligentemente apresentarem-se aos estádios para genuínas partidas disputadas por seus verdadeiros times assim falam com a doçura e pureza de quem de fato o verdadeiro futebol presenciou.

     

    Hoje, a evolução e transformação do desporto-mor do planeta em ação de marketings milionários conseguiu a sorumbática realidade de cegar-nos e incapacitar-nos, tirando-nos o censo crítico a ponto de torcermos pelo Corinthians como se de fato fosse o Corinthians, pelo Vasco como se fosse o Vasco, pelo Cruzeiro como se realmente fosse o Cruzeiro.

     

    Vendem-nos cópias baratas daquilo que involuntariamente decidimos amar, empurram-nos guela abaixo aquilo que nem mesmo podemos questionar. Fazem conosco como bêbados de paladar insípido no alto de sua embriaguez onde toda e qualquer gota de álcool se torna o mais bebível e sublime drink.

     

    Sentiria-se no direito de comemorar um título da seleção brasileira com um gol marcado por Maradona contratado ou imaginaria a Espanha em festa com um gol aos 45 de Cristiano Ronaldo emprestado? Estranho né? Mas é esse tipo de produto que vem deglutindo desde que se entende por gente. Edmundo, cria do Vasco, fazia gol pelo Fla e mais tarde em atitudes e palavras denegriria a imagem do clube rubro-negro. Paulo Nunes foi Palmeiras, foi Corinthians, mas nasceu Flamengo. E eu te pergunto corinthiano, quem do seu time campeão da América foi lapidado a ser Corinthians? Ou quem do seu time campeão da Copa do Brasil, Vasco da Gama, de fato é fruto de um projeto de base do Vasco? Se para torneios nacionais passasse a vigorar a mesma regra do Desafio Das Américas, onde apenas nascidos, genuínos podem jogar, qual seria a escalação do seu time, em que posição ele terminaria?

     

    A aceitação cega desse modelo de futebol é a causa do descaso profissional que assola a grande maioria dos clubes brasileiros, afinal pra que formar se posso comprar? Agem como meros mortais que preferem comprar alface a ter o trabalho de plantar, regar, cuidar e colher. É mais rápido e mais rentável, todavia te faz prisioneiro do escambo e te exige que sempre tenha em mãos boas e infindáveis moedas de troca.

     

    Enganam-nos ser uma realidade Mundial o que não é. Por mais que equipes médias europeias tenham seu elenco em grande parte comprado e emprestado, existe todo um trabalho de base para que evoluindo a equipe esses sejam incorporados e enfim o time tenha identidade com o clube e a torcida. As gerações vitoriosas de Manchester United, Inter de Milão e Barcelona são provas de um investimento a longo prazo de veras lucrativo. E não muito longe o Flamengo de 1981 e o Santos atual campeão de quase tudo. Equipes feitas nos fornos artesanais da própria casa, com atletas lapidados e alguns medalhões contratados – mas profundamente identificados com o clube- a fim de fornecer experiência durante o processo de amadurecimento da equipe.

     

    Você pode achar balela, choro de um carioca iludido com sol em demasia na cabeça, mas a incrível supremacia argentina em torneios continentais assim se deu, e essa creio ser piamente a fórmula do sucesso.

     

    O jogador do seu time que está na seleção não é aquele que agora a defende pelo desempenho em sua equipe, mas aquele que mesmo na China, Japão, Itália, França, toda vez que veste a amarelinha, que marca um gol, que faz um desarme, que ganha um título os comentaristas citam que ele foi criado no Corinthians, no Flamengo, no Fluminense ou no Grêmio, lá no Brasil.

     

    Esse sim é genuíno, esse sim foi oriundo do dinheiro que você investiu em camisas, canecas, calções e ingressos.

     

    Dois Toques e a gente sai na cara do gol!

     

     

     

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