TOPO
  • 27/08

    Dois Toques

     

    Kadu

     

    Caramba, que saudade dessa casa paulista com cheiro de garoa e esse arzinho de poluição! Fazia tempos que não nos víamos por essa banda pra um papo maroto, gaiato, sem pretensão, descolado e sacana. Também pudera, minha vida anda uma baita correria e vocês não tem que me desculpar. A culpa é toda minha. Onde já se viu abandonar por quase dois meses esse lar garoante e ficar satisfazendo as vontades escravagistas de um chefe famélico endinheirado?

     

    Sim, mereci levar umas boas porradas!

     

    Mas nem só de serviços passei esses meses. Eu que dedico minha vida sempre prazerosamente laborosa e saborosa ao consumo de substâncias naturais – mais especificamente cevadas e derivados da cana de açúcar – fui traído por um dente maroto que Papai do Céu só mandou pra doer. Ao contrário de dente de pobre, nem pra comer torresmo essa inhaca serve.

     

    Meu siso deu uma inflamada nervosa, infeccionou minha boca inteira, travou minha mandíbula, me deixou internado levando agulhadas feito uma velha no dermatologista e me deu um passaporte sem vergonha pro centro cirúrgico. Cirurgia essa que pretendo realizar hoje.

     

    Provavelmente enquanto você lia esses quatro parágrafos eu estava à mercê de um homem de branco que fazia milagres em minha maravilhosa boca mulamba – sem piadinhas. Ficarei mais tempo sem poder comer torresmo, tomar cerveja, gritar Mengo, chamar o Felipão de burro nem assobiar praquela gatinha que passa aqui em frente de casa já esperando meu sincero elogio. Que fase!

     

    Mas “há males que vem pra bem”, dizia o poeta. E por causa dessa maré bisonha fui obrigado a relaxar e refletir mais sobre a vida e seus porquês – relaxem, não entrei pra igreja. Mas conheci uns caras que fazem um som gospel de altíssima qualidade e que acreditei que vocês fossem gostar. Fala sério, tu realmente acha que vai ficar levando essa vida de cafetão italiano pra sempre?

     

    Tem hora que é bom ser prevenido, tipo zagueiro lento. Na via das dúvidas, se posicione onde o atacante jamais possa te entortar. E hoje, minha zona de conforto é ficar de boa meditando no som dos caras. Eu sei que depois que eu me recuperar existe uma probabilidade animalesca de eu cagar pra tudo isso e fechar uma caixa de Brahma num barzinho aqui perto de casa onde a Bohêmia litrão gelada custa apenas R$4,50 (valeu Menininha*, tamo junto), mas até que minha recuperação seja completa é bom me apegar àquilo que geral diz que se apegou na hora do perrengue e deu certo.

     

    Eu sei que se você freqüenta minha coluna tem 90% de chances de tu ser um macho-alfa barrigudo que grita é campeão com a boca cheia de farofa e a cara lotada de cachaça, mas até mesmo tu, ser repugnante, tem alguém na sua vida que leva a vida com um pouco mais de calma e essa pessoa pode sim curtir a vibe dos caras. E não custa nada dar uma moral emprestando um like pra página dos cidadãos né? Clica aqui logo e faça a vontade Senhor.

     

    Pensem comigo: Os caras fazem músicas pra Deus. Nós estamos bem afastados de Deus. Deus deve ta boladão com a gente. Se a gente pedir uma porção de batata pro Homem, o cara salga só de sacanagem. A última vez que tu levou um papo com o Cara o Brasil devia ser tri. Vez ou outra ele saca tu pensando um monte de bobagem. Então se a gente curtir a página dos caras que vivem pra agradar o Homem que tudo vê, quem sabe lá de cima ele não dá uma moral, multiplica nossa verba, manda mais meninas pros nossos churrascos, reduz o preço da Brahma. Sei lá, eu não sei como isso funciona, mas por via das dúvidas, curtamos… Amém?

     

    Dois Toques a gente sai na cara do gol.

     

    *Menininha é a dona do barzinho que minha galera enche a bufa. Com a cerva a R$4,50 e a porção de torremos pela bacatela de 2 moedas de borda dourada, com 30 contos tu fica doido pagando de patrão. 50 conto tu fecha uma caixa e come torresmo. Tá pouco? Qualquer dia posto uma foto. E quando visitarem o interior do Rio de Janeiro venham à Barra do Piraí beber quase de graça. Um abraço aê pra galera do bar: Tauan, Ana Cristina, Marcinho, Menininha e os bêbados que sempre falam comigo, mas eu não sei o nome.

     

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