TOPO
  • 28/11


    Mais uma semana que começa, fim do ano se aproximando e eu já me sinto no direito de fazer uma análise desse ano que finda. Verdadeiramente 2011 foi incrível no tange ao desporto preferido pela brazucada. Vimos craques nascendo, craque aposentando, uma enorme valorização tupiniquim que parece pôr fim à insana lógica de levar nossos garotos para o exterior e europeuzar o futebol dos caras, vimos equipes ressurgirem, outras afundarem… De fato o ano foi corrido e valeu a pena não cortar os pulsos – que diga o vascaíno que se frustrou no harakiri da marquise em 2008. Por que se teve um time que deu gosto ver jogar, essa equipe é sem dúvidas o Clube de Regatas Vasco da Gama. O time jogou tanto que ser campeão é mero capricho do destino. O Vasco não precisa faturar a bagaça pra mostrar que é o melhor.

     

    E o torcedor vascaíno merecia após a década negra que viveram. Foram quase 10 anos num jejum de títulos que soava como uma injustiça ante a grandeza do clube em questão. Mas como disse no texto da semana passada o Vasco precisou sofrer, apanhar na cara para compreender que sem profissionalismo é impossível obter sucesso no mundo da pelota. Roberto Dinamite mostrou continuar sendo o grande cara que encantou nos gramados e usou sua veia vascaína para fazer a receita perfeita e recolocar o Vasco no pedestal de onde nunca deveria ter saído. Montar um time “barato” apenas com jogadores dispostos a derramar sangue, com talentos jovens e ídolos de um passado recente foi sem dúvida o maior golaço do Senhor Dinamite. A mescla de juventude e experiência certamente teve peso extra na estrutura vascaína, mas ter Juninho e Felipe na equipe foi golpe de mestre. A presença dos ídolos deu aquela dose de esperança e adoçou a torcida fazendo com que os jovens talentos tivessem tempo de aparecer antes das pedras voarem da arquibancada.

     

    Há muito não via uma equipe disputar com chances reais de título todas as competições do ano, mas o Vasco conseguiu. Viu o campeonato carioca escapar numa disputa de pênaltis, faturou a Copa do Brasil, corre na pressão no Brasileiro e faz uma campanha impecável na Sulamericana. Se pararmos pra pensar que o clube estava arrasado ano passado e lutava para não ser novamente rebaixado no Nacional ficará fácil compreender o tamanho e a velocidade da evolução do Vasco. Talvez isso se dê porque ao contrário do que muitos clubes fizeram de contratar um cara que desequilibra e jogar em função dele, o Vasco montou um time, uma equipe, tem elenco. Pode não ter os melhores em cada posição, tem uns ou outros jogadores bem abaixo da média, uns vacilões, mas o corpo, a gordura do elenco compensa a debilidade técnica e mental de alguns jogadores.

     

    Muito da ressurreição de Diego Souza se deve ao Vasco. Um jogador no nível dele, num elenco comprometido onde ninguém é escolhido pra mártir ou salvador da pátria é o ambiente perfeito para qualquer astro brilhar. Não ter a responsabilidade de ter que fazer chover fez com que Diego Souza tornasse a ser o bom e velho Diego dos tempos de Palmeiras e a segurança passada por Dedé e Fernando Prass faz com que o talento individual de jogadores acima da média apareçam com mais frequência, uma vez que perdendo a bola, a zaga e o goleiro garantem.

     

    Aliás, vendo o Prass me pergunto por que cargas d’água esse goleiro foi despontar tão velho? Alto, seguro, inteligente, não faz gracinha… O cara tem caráter de goleiro de seleção. Ainda não vi Fernando Prass sequer ameaçar aquele clássico vacilo que dá frio na espinha e congela o coração. Até aquelas bolas pro meio da área que ele costumava rebater já foi corrigida e hoje o goleirão é sem dúvidas um dos maiores goleiros do Brasil.

     

    De ponta a ponta, o Vasco é o melhor time brasileiro na atualidade e a gestão Dinamite deu a prova que faltava para mostrar que um time profissional sem presepeiros zoadores beberrões dá resultado em tempo recorde. E a tendência é que o Vasco se torne ainda mais indigesto, porque com a vaga na Libertadores garantida, maior visibilidade e patrocinadores super empenhados em expor seus nomes por um valor muito agradável e convidativo, a equipe certamente suprirá suas carências em algumas posições (como a lateral esquerda) e aí sim vai ficar esquisito bater de frente com os caras. Já imaginaram o Vasco partindo pra cima estilo to pegando fogo e não tendo que aturar Julinho, Jumar, Alecsandro e outras bizarrices que ninguém entende porque ainda estão lá?

     

    Mantendo essa base e dando uns retoques certamente quem der vacilo, ficar de bobeira e parar na frente do Vasco será impiedosamente rasgado ao meio, no pelo e com terra.

     

    Aconselho de verdade que os cruzmaltinos desistam de vez da ideia do suicídio coletivo da marquise e se preparem para 2012, porque se ninguém se mexer garanto que, caso o mundo não acabe, o ano será de janeiro a dezembro todo do Vasco.

     

    Dois Toques e a gente sai na cara do gol!

     

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